I give you all of me
Nunca foi tão difícil a simples tarefa de escrever algo. Está tudo preso, amontoado nas ideias e no coração, as palavras se embaralham com uma destreza, que é impossível colocar os sentimentos em qualquer papel velho e sujo que venho a tempos querendo rabiscar com algum caso ou acaso; deve ser porque não tenho sentimentos novos a declarar ou coisas clichês pra contar, então fico assim, nessa paranoia sem fim, por não poder expressar o que há dentro de mim.
É culpa da monotonia. Bárbara Guerrero.  (via verbografos)
O Guia do Mochileiro das Galáxias diz o seguinte a respeito de voar: Há toda uma arte, ele diz, ou melhor, um jeitinho para voar.
O jeitinho consiste em aprender como se jogar no chão e errar. Encontre um belo dia, ele sugere, e experimente. A primeira parte é fácil. Ela requer apenas a habilidade de se jogar para a frente, com todo seu peso, e o desprendimento para não se preocupar com o fato de que vai doer. Ou melhor, vai doer se você deixar de errar o chão. Muitas pessoas deixam de errar o chão e, se estiverem praticando da forma correta, o mais provável é que vão deixar de errar com muita força. Claramente é o segundo ponto, que diz respeito a errar, que representa a maior dificuldade. Um dos problemas é que você precisa errar o chão acidentalmente. Não adianta tentar errar o chão de forma deliberada, porque você não irá conseguir. É preciso que sua atenção seja subitamente desviada por outra coisa quando você está a meio caminho, de forma que você não pense mais a respeito de estar caindo, ou a respeito do chão, ou sobre o quanto isso tudo irá doer se você deixar de errar. É reconhecidamente difícil remover sua atenção dessas três coisas durante a fração de segundo que você tem à sua disposição. O que explica por que muitas pessoas fracassam, bem como a eventual desilusão com esse esporte divertido e espetacular. Contudo, se você tiver a sorte de ficar completamente distraído no momento crucial por, digamos, lindas pernas (tentáculos, pseudópodos, de acordo com o filo e/ou inclinação pessoal) ou por uma bomba explodindo por perto, ou por notar subitamente uma espécie muito rara de besouro subindo num galho próximo, então, em sua perplexidade, você irá errar o chão completamente e ficará flutuando a poucos centímetros dele, de uma forma que irá parecer ligeiramente tola. Esse é o momento para uma sublime e delicada concentração. Balance e flutue, flutue e balance. Ignore todas as considerações a respeito de seu próprio peso e simplesmente deixe-se flutuar mais alto. Não ouça nada que possam dizer nesse momento porque dificilmente seria algo de útil. Provavelmente dirão algo como: “Meu Deus, você não pode estar voando!” É de vital importância que você não acredite nisso: do contrário, subitamente estará certo. Flutue cada vez mais alto. Tente alguns mergulhos, bem devagar no início, depois deixe-se levar para cima das árvores, sempre respirando pausadamente.
NÃO ACENE PARA NINGUÉM.
Douglas Adams  (via oxigenio-dapalavra)
Ninguém acreditou nas minhas palavras, tampouco no que eu sentia. Não quiseram acreditar em mim. Acreditaram no que elas queriam, e eu sei que acreditaram no errado. Deixei de acreditar em muitas coisas por causa delas. Porque as pessoas não iam mais além de um olhar triste e brilhante. Elas preferiam acreditar num sorriso falso que eu colocava nessa minha face desidratada. Ninguém nunca se importou em vasculhar ou descobrir o que havia atrás de um coração despedaçado, um sorriso falso e um olhar triste. Deixei de me importar, dou para as pessoas aquilo o que elas me deram. Meu desprezo.
O suicídio da avenida principal  (via quoteografias)
É a mesma história que se repete. É um filme reprisado até entediar é a mesma música que escutamos uma e outra vez, ate cansar. É a mesma cena uma e outra vez ate causar raiva. Cheia de viver a mesma coisa, isso é como se fosse um grande déja vu como se tudo que acontece você já viveu, entende?
— Jazmin  (via re—escrevendo)
Um olhar na direção certa e o mar me invadiu pela garganta. Você se lembra, mon cheri? Eu já li e reli tantas vezes esta cena, você vinha caminhando em minha direção, eu amava bebericar novidades no quiosque literário bem no Largo do Arouche. E de longe eu te avistei rodeado de lindas flores. O aroma fresco e perfumado costumava nos deixar tontos e anestesiados numa outra dimensão. E quando meus olhos correram nos teus eu soube que havia encontrado o começo ou o fim de nossas vidas. Eu não te conhecia muito bem, foi mesmo de supetão. E na incoerência abstrata dos sentimentos opostos, no susto, meu coração gritava clemência e logo se enchia de ilusão hipnotizado pelos teus lindos olhos castanhos. Eu te quis como jamais desejei ninguém, constatei ali meus avessos, minha insanidade refratária. Te acompanhei calmamente paralisada, absorta e incalculável. E enquanto se aproximava, refiz o roteiro do meu destino, no mesmo instante fui abismo, fui tenor lírico em Madame Butterfly. Eu sabia que havia encontrado o maior de todos os amores, o abraço manso que me faria voar nítida com os olhos absolutamente maravilhados com toda a sua grandeza e plenitude. Eu chorei, chorei por dentro, disfarcei o nó na garganta com um meio sorriso e a tua boca vinha se aproximando para me dar um beijo, um doce beijo. Naquele instante eu morri por 2 segundos, mon petit, e logo após renasci complemente ávida por ti. Em um ligeiro instante você me mostrou que de nada vale estarmos vivos, que de nada vale nossa carne boa, nosso pulmão e coração operantes, que de nada vale essa vida se não determos o amor, não o represarmos em nosso peito, fazermos dele a essência de nossas almas. Senti o mar me invadindo, levando minérios e canções, força bruta e impassível adentrando em meu pequeno e frágil coração. E você apontou um livro, e já o retirando da estante declarou:
- Os pássaros sobrevoam no horizonte minha criança, porque sabem que fazem parte da pintura exuberante, translúcida, irremediavelmente única e ininterrupta da vida que brota livre no movimento de suas asas.
E sorrindo me estendeu uma de suas mãos e fomos caminhando em direção ao metrô. Foi quando entendi que não importava, que poderia mesmo morrer ali. E pensei… Pobres céticos poetas que não toleram falar sobre o amor, ainda não perceberam que apenas o amor e a poesia nos tornam eternos e a nossa existência carnal um simples, irrelevante e mero detalhe da vida.
Elisa Bartlett  (via oxigenio-dapalavra)

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Vinicius de Moraes (via re—escrevendo)

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